Crédito malparado mais do que duplicou em Angola nos útlimos três anos – BNA

O volume de crédito malparado na banca angolana mais do que duplicou nos últimos três anos, chegando a 26% do total concedido até junho último, anunciou hoje o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano.

O anúncio foi feito hoje pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, quando proferia, em Luanda, o discurso de abertura da 13.ª edição do estudo “Banca em Análise 2017”, elaborado pela Deloitte Angola.

“Este aumento das dificuldades de reembolso dos empréstimos por parte das famílias e empresas é mais sentido nos setores do comércio, da construção e atividades mobiliárias, reflexos do ritmo de crescimento da economia nos anos mais recentes”, acrescentou.

Face ao “cenário preocupante”, o responsável deu a conhecer que decorrem trabalhos juntamente com a associação do setor bancário em busca de “melhores soluções para o aumento da concessão de crédito à economia em condições de maior segurança”.

De acordo com o governador do banco central angolano, apesar dos níveis de degradação do sistema financeiro do país, que atingiu os 31% até março de 2018, as provisões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, bem como do BNA apontam melhorias da estabilidade no presente semestre.

“Apesar dessas previsões de melhorias, a vulnerabilidade macroeconómica que ainda se observa incrementa a responsabilidade do BNA na prevenção, gestão e resolução dos desafios que se levantam ao sistema financeiro”, exortou.

Falando numa audiência preenchida por elementos do setor bancário, o governador do BNA referiu também, que em relação a adequação do capital, apesar do sistema financeiro se encontrar acima dos níveis mínimos estabelecidos os “riscos na carteira de créditos” merecem “cautelas”.
“O certo é que o risco existente na certeira de crédito, poderá implicar o aumento das imparidades com impacto negativo na solvabilidade regulamentar das instituições financeiras bancárias”, apontou.

No quadro dos testes preliminares de esforço ao sistema financeiro bancário para o controlo dos referidos riscos, o BNA determina a necessidade do “ajustamento dos valores mínimos de capital social para fundos próprios regulamentares”.

“Que deverão ser cumpridos até 31 de dezembro do corrente ano”, indicou.
O processo de “estruturação orgânica” e funcional do BNA enquadra-se na “melhoria da estabilidade financeira” do país, com “novas unidades orgânicas” da instituição bancária entre as medidas, segundo José de Lima Massano.

“Do ponto de vista regulamentar, outra nota relevante das iniciativas em curso no BNA prende-se com alterações voltadas a atualização das normas vigentes sobre a governação corporativa e sistemas de controlo interno (…)”, rematou.

Post Author: facesdeangola

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