Pacientes no Sanatório têm dias menos penosos

Tem agora o corpo franzino, qual menina de 16 anos, mas o rosto abatido não deixa dúvidas de que se trata de uma mulher adulta. As marcas ósseas no dorso são visíveis, pois tem-nas encobertas por uma blusa leve e com as alças penduradas nos ombros caídos para o lado esquerdo.

Sentada numa cadeira plástica, dona JP, iniciais de um nome fictício, esforça-se para se levantar, e saudar a equipa de reportagem do Jornal de Angola, que a quer entrevistar. Mas, o exercício dura pouco. Ela desiste e continua abancada, suspira e sorri.

Cumprimenta os jornalistas e volta a tossir, enquanto eleva à mão direita, bastante frágil, à boca, embora fragilizada, dona JP, demonstra ser uma boa comunicadora, embora fale com certas dificuldades para soltar a voz, que, em menos de cinco minutos, conta a situação geral que vive, desde que internou no segundo andar do Hospital Sanatório de Luanda, onde recebe tratamento contra a tuberculose, desde o mês passado.
Embora dispense os flashes do fotógrafo Paulo Mulaza, a vendedora ambulante e moradora do bairro Palanca, afirma que soube da doença muito tarde. No início, há mais de seis meses, refere que tinha pequenas tosses, que ainda dava para continuar os pequenos negócios que fazia, para contribuir no suporte da casa, do marido e dos seis filhos.
Quando ia abrindo o livro da sua vida, JP volta a avisar que não quer fotos, mas insiste que a companheira de quarto se junte à nossa conversa. Esta apela para não ser incomodada, pois sente dores muito fortes. Pedido respeitado. E a primeira interlocutora, pede calma e continua o diálogo com os jornalistas. Nesse período, ela faz algum esforço para conter a tosse, talvez pela presença dos visitantes.
Durante anos, disse Rodrigues Leonardo, o hospital andou atirado ao abandono, assim como, é a doença que arrasta os pacientes àquela unidade clínica. “É um problema mundial, pois, os governantes estão a negligenciar a tuberculose, talvez por ser um problema que afecta mais os pobres”.
Em Angola, o cenário era quase o mesmo. Mas, a visita efectuada pelo Chefe de Estado, levou a esperança por dias melhores para os doentes e técnicos do Sanatório, principalmente com o anúncio da construção de um novo hospital dentro de dois anos, realça o director-geral.
Enquanto isso, a expectativa pela construção do novo hospital é grande. O arranque das obras depende do Orçamento Geral do Estado (OGE), que já reservou as verbas, para a materialização do projecto, disse o director-geral.
Esse trabalho, que inclui igualmente a reabilitação do actual hospital, fica orçado em 31,3 milhões de dólares. Enquanto isso, obras paulatinas vão ser levadas a cabo, para que sejam aproveitados todos os compartimentos existentes no antigo edifício.
Um dos maiores problemas, que o Sanatório enfrenta tem a ver com a falta de médicos especialistas em pneumologia. Esse problema, vai ficar para trás, uma vez que a nova instituição, vai funcionar como um hospital-escola.
Com capacidade para 300 camas, o novo hospital vai dispor de um conjunto de componentes tecnológicos, que o actual Sanatório não oferece, com destaque para serviços de ressonância, anatomia patológica, ambulatório com todas as valências de uma unidade docente, bloco operatório e cuidados intensivos.
Projectado para ser o mais moderno do país, o novo Sanatório vai dispor ainda de serviços de broncoscopia, cirurgia torácica, hematologia, tomografia auxiliar computarizada, ultra-sonografia, entre outras tecnologias que vão ajudar na formação de especialistas em pneumologia, entre os quais tisiologistas.
Diferente de outras áreas de formação, na Medicina, as especialidades são feitas nos hospitais, por cerca de quatro á cinco anos, depois da conclusão da licenciatura, o que significa que “um médico especialista se faz em quase 11 anos”.

 

Post Author: facesdeangola

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